Até
que fim, o fim!
Ufa! Até que fim
acabou as eleições, a poeira assentou, o
os ânimos acalmaram, o povo esfriou e graças
a Deus, aqui em Currais Novos não tem segundo turno.
Aos vencedores, Geraldo Gomes e Milena Galvão,
boa sorte e que façam um governo no mínimo
bom, para Zé Lins só resta a resignação,
muito embora eu tenha a certeza de que nestes últimos
a quatro anos ele fez o melhor que pode.
E nem se empolgue o nobre leitor que eu não vou
declinar meu voto, pois vou usar da mais preciosa premissa
da nossa democracia brasileira, a garantia do sigilo e
do segredo do voto, mesmo passada a eleição.
Alias, se houve verdadeiramente um grande perdedor nesta
eleição foi a Democracia (com “D”
maiúsculo mesmo) propriamente dita, e tudo conspirou
ao seu desfavor.
Teve-se de absolutamente tudo no pleito deste ano, gente
em cima de cavalo passando em cima dos outros, os outros
se jogando em cima dos cavalos, Trio Elétrico fofando
o chão, senador e governadora berrando aos microfones,
churrasco e farra com bebida franqueada, insultos mil
tanto de lado como de outro misturado a ofensas pessoais,
grito, escândalo, bandeirada na cabeça, “ai-ai-ais”
e “ui-ui-uis”, vaia injusta em praça
pública para uma autoridade constituída,
atacado e varejo de títulos eleitorais, polícia
federal, Exército, vixe foi coisa de mais!
O povo se empolgou, a passionalidade tomou conta de todos,
teve gente que se intrigou, gente que perdeu dinheiro
em aposta, parentes que discutiram, foi coisa de mais!
Mas infelizmente esqueceram-se do principal, que é
justamente os planos e as propostas para o Município,
salvo num momento esporádico aqui, outro ali, pouco
ou quase nada ouviu do que se vai, ou iria fazer pela
cidade nos próximos quatro anos. Enquanto isto
o povo se engalfinhava nas ruas, cada um torcia pelo seu
candidato, como quem torce pra um time de futebol, e pior,
nada de uma torcida saudável de fim de campeonato,
era uma torcida doentia e agressiva na mais odiosa forma
a-la hulligans.
E projeto, cadê? Proposta, pouco ouviu. Quem perde?
Sei lá, só sei que, que nem diz aquela propaganda
da TV, quatro anos é muito tempo, é uma
vida, muita coisa pode acontecer em quatro anos e ninguém
pensou nisto, muito pelo contrário a tal “galera”
ia aos “comícios” como que ia pra um
Carnaxelita, ia pra curtir, pra ficar, encher “a
lata”, e na mais pessimista das possibilidades,
arrumar briga ou confusão. No campo das idéias,
conteúdo de governo, vertente política,
nada, nada vezes nada.
Acho muito, muito, difícil que os dois cabeças
de chapas e seus respectivos vices tenham apoiado toda
esta “bagunça” (pra dizer o mínimo).
E aqui ouso a dizer que grande parte da culpa para este
estado de coisa não é deles, mas é
sim do segundo escalão de “assessores”,
não digo de todos, mas de alguns de uma corriola
de babões que inflam e insuflam a disputa atiçando
o povo e desviando do debate político sério.
E aquela velha pergunta que não quer calar, quem
perde com isso? Perde o próprio povo e principalmente
perde o próprio espírito democrático
que se vê triste e derrotado. A saudável
alternância de poder fica viciada e desacreditada,
o que dar razão àqueles nostálgicos
do período ditatorial.
E como diz o meu sogro: “eita democracia véia
esculhambada!”. E os que acreditam na democracia
só podem baixar a cabeça e ficar calado,
porque de certa forma, ele está certo.
Quando descrevi, aqui mesmo, a tragédia no que
se tornou a “ex”-bela cidade de Taquaritinga
do Norte, quis fazer também uma alegoria para poder
dizer no que pode se tornar qualquer cidade do mundo quando
não é bem governada. E os governos nas democracias
é posto lá pelo povo, e se o povo é
passional e não politizado quem apanha é
ele próprio, o povo. E isto só faz me lembrar
de uma frase que minha saudosa mãe sempre me dizia:
“cada povo tem o governo que merece”.
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