0.01020100 1398364865 Projetos do Povoado Cruz é referencia nacional
duagito
Currais Novos -
11 Out

Projetos do Povoado Cruz é referencia nacional

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Buscar alternativas para driblar as dificuldades impostas pelas condições adversas do clima. Esse foi o motivo que levou alguns moradores do Povoado Cruz, 19 quilômetros de Currais Novos, no Seridó Potiguar, a criar uma unidade produtiva de polpa de fruta, beneficiando e mudando a vida de pelo menos 30 famílias.


O projeto iniciou na cozinha da educadora Ana Lucia. “Eu comecei usando o meu próprio liquidificador e vendendo em embalagens vazias de margarina, na feira”, disse.  A aceitação foi tão grande que chamou a atenção dos técnicos da EMATER/RN.


O próximo passo foi encontrar os produtores que pudessem fornecer as frutas. E foi ai que identificou-se mais um problema. Os agricultores que já existiam vendiam seus produtos aos chamados “atravessadores”, com preço muito baixo, e o restante da produção, que era vendida em feiras públicas, tinha uma perda de cerca 40%. “Na realidade eu comecei da necessidade mesmo”, explica Ana Lúcia.


Com o auxílio dos técnicos da EMATER, em 2002 foi iniciado o projeto. Ainda com poucos equipamentos e trabalhando com frutas da época, começou um trabalho de incentivo aos produtores com técnicas de irrigação, aproveitando a água do Açude "Úrsula Medeiros", que abastece a comunidade.


Em 2004, o primeiro incentivo financeiro. O projeto conseguiu um empréstimo do Programa Desenvolvimento Solidário, que proporcionou a reforma do prédio e a compra de uma despolpadeira, dosadora e freezer, e assim oficializando a inauguração oficial, no dia 20 de dezembro deste ano.


Com uma estrutura razoável, a fábrica foi incluída no projeto do Governo Federal, Compra Direta, o Programa de Aquisição de Alimentos da agricultura familiar, o que motivou os associados. Porém o maior e mais difícil desafio ainda vinha pela frente: A certificação do Ministério da Agricultura. Foram mais dois anos de muitas exigências, regulamentação e persistência. Só em 2010, o feito foi comemorado, autorizando a fábrica visualizar novos horizontes, com possibilidade de negócios de 10 tipos de produtos e vendas para todo Brasil e exterior. “Nós tivemos que ficar dois anos parados para conseguir a certificação, foi muito difícil, mas conseguimos”, comemora Ana Lúcia.


A fábrica também faz parte do Programa Nacional da Merenda Escolar(PENAE), que incentiva os municípios adquirirem no mínimo 30% de produtos oriundos da agricultura familiar para a merenda escolar. Mas o prazo de pagamento é de 40 dias, o que dificulta o funcionamento da fábrica. “Nós não temos capital de Giro, e esse prazo é muito longo, só de energia elétrica pagamos entre R$ 600 e R$ 500 reais mensal, muitas vezes temos que pegar dinheiro emprestado para não interromper o fornecimento”, lamenta a associada.


Por isso, a próxima etapa da Fábrica é entrar no mercado interno, ou seja, fornecer as redes de supermercados, mas pra isso terá que tirar a nota eletrônica, outra burocracia e mais custos, criticado pelo gerente de Agroindústria da EMATER, Ivo Melo: “A fábrica atende exatamente a capacidade produtiva da comunidade, mas é preocupante o número de regulamentação,  e o que isso gera de custos para esses associados”, diz.



Mas a persistência continua vencendo todas as barreiras. E a capacidade de produção da fábrica impressiona. Tendo a matéria prima diariamente, a fabricação de polpa pode chegar a uma tonelada, isso atendendo todas as exigências de qualidade.  “Nossa polpa não tem água, e as frutas são agroecológicas, ou seja, nós temos o orgulho de dizer que temos um produto de ótima qualidade”, explica Ana Lúcia.




O projeto é um dos grandes orgulhos da coordenadora regional da EMATER, Maria José, que comemora o desenvolvimento da associação. “A nosso objetivo e ver os produtos no mercado interno, para que os produtores cresçam ainda mais, gerando renda e empregos para toda a comunidade”, disse.


O trabalho da fábrica é feito totalmente por mulheres, todas ligadas aos produtores. “Eles só entram com a matéria prima, nós é que produzimos a polpa”, disse Marluce Ferreira , esposa de um dos produtores: “Ganha meu marido fornecendo as frutas e eu trabalhando na fábrica”.


Um dos produtores é José Inácio, que fornece acerola, goiaba, manga e graviola da irrigação utilizando a água do açude da comunidade: “Esse projeto foi a nossa salvação, mas ainda precisamos de um carro para transportar as polpas e a compra de freezers para entrar no mercado interno”, lembrou o produtor, que mostra com orgulho a sua produção de graviola, que chegam a pesar mais de 5 quilos a unidade.



A presidenta da Associação Iris Lucimar destaca outro dado impressionante: “Nós fomos a primeira associação de agroindústria do RN a ter o Selo do Ministério da Agricultura”. Iris diz que o desafio pra botar a fábrica pra funcionar  é muito grande, mas que unida as outras mulheres voluntárias, não desiste. “A fábrica funciona com o repasse de 30% da produção de polpas, mas já conseguimos chegar até aqui, e a gente acredita que a fábrica trará muitas melhorias à comunidade, inclusive com a permanência do homem no campo ”, disse.


Uma das voluntárias é Eva Medeiros, que também é vice-presidente da associação. “Eu não sou da comunidade, mas me sinto no dever de ajudar, acho que com esse projeto ganha todo mundo”, disse.


Apesar das dificuldades, o que é certo mesmo é que a fábrica hoje é considerada referência nacional, visitados por profissionais de todo país. Em novembro de 2010, uma comitiva com técnicos da EMATER de todo país veio conhecer o projeto. Há dois meses foi a vez de técnicos do Piauí que também estiveram conhecendo o funcionamento do projeto. Nesta segunda(11), associação recebeu um intercâmbio do Estado do Amazônia, com 10 técnicos de várias áreas. Entre elas, a engenheira agrônoma Edna Maria Oliva, do IDAN (O Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas). Ela  explicou que esse é a 9ª edição do Intercâmbio, patrocinados pelo MDA/IDAN, em parceria com a EMATER. “Estamos percorrendo alguns projetos no RN, e estou impressionada com que vi, gostei muito ”, disse.


No Povoado Cruz a comitiva ainda conheceu os Projetos de Inclusão de Digital e o Tanque de Resfriamento de Leite.
Última modificação em Ter, 11 de Outubro de 2011 14:33

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23/04/2014

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