Milhares de pessoas aguardam até 30 minutos para dar o último adeus ao cardeal Dom Eugênio Sales, natural de Acari, arcebispo emérito do Rio de Janeiro, que desde a tarde de terça-feira (10) é velado na Catedral Metropolitana, no Centro do Rio.De acordo com a Arquidiocese, o arcebispo está sendo homenageado com missas a cada duas horas. O corpo dele chegou à igreja trazido pelo caminhão do corpo de bombeiros e coberto pela bandeira do Brasil.
Ao chegar recebeu uma salva de palmas dos fiéis que participavam da cerimônia religiosa. A grande surpresa do início da cerimônia nesta terça(10), foi uma pomba branca solta por um voluntário da Cruz Vermelha e que passou mais de uma hora sobre o caixão de dom Eugenio, continuava, na manhã desta quarta, na nave central da Catedral. Desta vez, acompanhando de longe toda a movimentação na igreja.
Dom Eugenio morreu às 22h30 desta segunda-feira (9), aos 91 anos, após sofrer um infarto em casa. O arcebispo chegou a ter o nome cogitado entre os candidatos a papa, depois da morte de João Paulo I.
De acordo com a Arquidiocese do Rio, o enterro será realizado na tarde desta quarta(11), na cripta no subsolo da Catedral. Ele será o segundo cardeal a ser enterrado no chão da cripta da Catedral do Rio.
História
Dom Eugênio é filho de Celso Dantas Sales e Josefa de Araújo Sales (Teca) e irmão de Dom Heitor de Araújo Sales, arcebispo emérito de Natal/RN. Nascido na Fazenda Catuana, foi batizado na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Guia, em Acari, no dia 28 de novembro de 1920. De família muito católica, era bisneto de Cândida Mercês da Conceição, uma das fundadoras do Apostolado da Oração na sua cidade natal.
Realizou seus primeiros estudos em Natal, inicialmente em uma escolar particular, depois no Colégio Marista e finalmente ingressou, em 1931, no Seminário Menor. Realizou seus estudos de Filosofia e Teologia no Seminário da Prainha, em Fortaleza, Ceará, no período de 1931 a 1943.
Foi ordenado sacerdote pelas mãos de Dom Marcolino Esmeraldo de Sousa Dantas, bispo de Natal, no dia 21 de novembro de 1943, na mesma igreja onde recebera o batismo. Ao longo de seus 91 anos de vida, em especial nos 58 anos de episcopado, 30 deles à frente da igreja no Rio de Janeiro.
Ele ficou à frente da arquidiocese carioca até 2001, onde se tornou referência na defesa de perseguidos políticos. Em 2008, soube-se que ele abrigou mais de 4.000 pessoas perseguidas pelos regimes militares do Cone Sul entre 1976 e 1982. Dom Eugenio foi um dos prelados brasileiros que mais cargos ocuparam no Vaticano.
"O egoísmo dominante nos indivíduos e países impede uma justa distribuição dos recursos naturais. Cada um pensa em si e em sua nação, sem atender ao bem comum. Aqui se coloca o empobrecimento do Terceiro Mundo, em benefício dos mais ricos. E, no Brasil, a concentração de riquezas é crescente. Busca-se, em vez de justiça social, a diminuição dos que deveriam igualmente participar desses dons que Deus criou para todos os seus filhos". (Jornal do Brasil, 13/08/1994).
** Fonte: G1, DN Online e Wikipedia










