
O coletivo Byreçá Foto Potiguar apresenta desde o dia 09 e segue até o dia 25 de agosto, no Solar Bela Vista, em Natal, fragmentos do primeiro projeto da série “Ensaios Potiguares de Fotografia”, intitulado: “Vaqueiros Tradicionais do Seridó”.
Os fotógrafos Alex Fernandes e Pablo Pinheiro mergulharam durante cerca de um ano, entre idas e vindas, em pesquisas, vivências, ensaios; convivendo e captando o cotidiano dos tradicionais vaqueiros do Seridó, representados nesta mostra pelo município de Acari. “O contato com os vaqueiros dentro do mato, comendo rapadura e carne assada, foi mágico e inédito para nós”, revela o fotógrafo Pablo.
A região do Seridó, especificamente a cidade de Acari, foi escolhida em função de sua natureza com uma flora e fauna típicas, com singularidades construídas nesse cenário onde o vaqueiro torna-se majestoso sem nenhuma imposição, simplesmente porque o é. Além da importância do trajeto econômico da pecuária na história do Rio Grande do Norte. Agregado a estes valores encontra-se a forte presença icônica de toda a tradição vaqueira que vai desde a vestimenta, os instrumentos, o modo de olhar, de se mover, a cantiga (o aboio), o cavalo, o gado, as heranças culturais e de trabalho, como a apartação, os derrubadores, arrebanho e outros.
A mostra também alerta para um futuro incerto dessa riqueza cultural tipicamente nordestina. A chegada das tecnologias, que atraem às novas gerações, e a falta de valorização do vaqueiro podem favorecer para a extinção dessa profissão. “São vários os fatores, entre eles: a falta de melhores condições econômicas e a falta de incentivo governamental para manter essas pessoas no campo com condições mais dignas, isso acaba sendo um problema no país inteiro, não só no Seridó”, explica Pablo.
A importância deste ensaio sobre os Vaqueiros Tradicionais do Seridó está não só no registro fotográfico, mas na paixão pelo assunto, que apesar de envolver um tesouro nacional, de riqueza inestimável, não parece ter o crédito e o espaço que por certo mereceria na mídia, na vida acadêmica.
Parte desta lacuna deve-se, por certo, à escassez de registros e de catalogação de qualidade das mais diversas expressões autênticas regionais do interior brasileiro, integrando uma imensa variedade de técnicas, instrumentos, destes verdadeiros cavalheiros que atuam, muitas vezes de acordo com tradições transmitidas através de diversas gerações, em contextos culturais, sociais e econômicos muito adversos.
As fotos desta exposição são apenas um fragmento do material que o coletivo está registrando e manifestam um grito de existência de quem somos, da terra que construímos, das influências diretas ou indiretas do que hoje nos embala como a construção de uma contemporaneidade.
A mostra é aberta ao público, das 8h às 12h e das 14h às 18h, e tem a curadoria de Ricardo Junqueira.
foto: Canindé Soares