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JARLENEOLOGIA


“Uma das coisas que mais me sensibilizaram são duas: a consciência e a sensibilidade de JARLENE MARIA. Acompanhei-a por diversos momentos, tanto na cidade dos urbanóides como aqui em Taperoazim...”

(Vital Farias – compositor e cantor)

A arte é uma expressão singular que se torna coletiva, desde que haja aceitação do público. E pensando nisso, dedico às Páginas de Memória àquela que por natureza já é a própria arte em pessoa: Jarlene Maria, filha de João Batista e Suetônia Batista.
         Esta cidadã do mundo nasceu num ambiente em que a musicalidade, poesia e humor geravam a atmosfera do lar. Seu contato com a criação aconteceu na infância quando participava de apresentações escolares e sociais, influenciada e orientada pela mãe, Suetônia Batista.
         Aos 4 aninhos, a nossa mais serelepe artista, cantou a seguinte marchinha “Até eu sei dizer I love you”, em pé num banquinho, pois o microfone era alto. Tudo isso nos estúdios na antiga Rádio Poty de Natal.
         Desde logo, na meninice, começou a tocar sanfona, seu primeiro instrumento musical presenteado pelos pais. Aos 10 anos, em Recife, gravou um disco de 78 rotações, tocando, desta vez, com a sanfona de 80 baixos no estúdio  da extinta Rozenblit. Além desse instrumento ela toca piano, clarineta e instrumentos de percussão.
         Jarlene Maria tem uma história de sucesso, porque ao seu lado muitos artistas como Renato Caldas, José Lucas de Barros (poeta dos bons), Danilo Caymmi e tantos outros conheceram e reconheceram o talento dessa seridoense nata. Pessoas que acreditaram em seu talento tanto como musicista como poeta. Tanto é que as músicas e letras de sua autoria se misturam com outras melodias de artistas que se sentem em total consonância com suas idéias.
         Como cantora, letrista e intérprete Jarlene Maria compôs verdadeiras expressões poéticas de altíssimo nível como Jajubassu, Planta de Mel – que dá nome ao seu primeiro disco- e Acalanto para Zé Menininho além de muitas outras que compõem seu trabalho musical.

“ Rê, rê, Totoró
Rê, rê, Totoró
Sem chuva no meu sertão
Acabou-e a alegria
Totoró, açude amigo
Tuas águas tem saudade
Brinquedos da mocidade,
Embalos de sonho antigo;
Longe de ti me esvazia!...”

In SEM CHUVA NO MEU SERTÃO ACABOU-SE A ALEGRIA.
Letra: José Lucas de Barros e Jarlene Maria. Música Jarlene Maria

         Em conseqüência dessa “agonia,” comum aos poetas e artistas, é que surgiu o segundo trabalho musical denominado REBOLIÇO, um disco que veio efervescer o cenário musical do Brasil. Embora com características regionais e expressões típicas da terra sertaneja, o disco possui idéias de universalização, assim como fez o Rei do Baião, Luiz Gonzaga, quando divulgou no sul do país o que há de mais belo, sem assolar a imagem do sertão nordestino.
          No seu segundo Lp Reboliço ela divulga novamente o poema de Renato Caldas. Foi a primeira pessoa a musicá-lo tendo do próprio poeta a permissão em cartório de musicar qualquer poema. Ele a chamava carinhosamente de minha neta querida. Neste Lp Jarlene Maria teve total apoio de José Dantas de Araújo ,nessa época prefeito da cidade de Currais Novos, e do prefeito da cidade de Açu Ronaldo Soares da Fonseca. A cantora dedicou esse trabalho a seus pais. Divulga também o poeta Stoessel Augusto e poemas de José Marcelo, seu filho.
         Jarlene Maria lança neste mês de julho um Cd com o primeiro show como profissional realizado no teatro Cacilda Becker no Rio de Janeiro com a direção musical de Mirabô Dantas. O cd é intitulado Fulô da Margem, com poesias de Patativa do Assaré, Renato Caldas e músicas de sua autoria e de Mirabô Dantas.
         Além de musicista, a currais-novense Jarlene Maria é também poeta e prosadora. Seu primeiro livro Canteiro de Nuvens coloridas (1999) foi o passo inicial para a produção de mais três: Janelas do coração (2000), Proseando lembranças (2002) e Histórias de Antes (2006). Este último, em prosa, retrata situações felizes de seus amigos, familiares e conhecidos. É uma declaração de amor à terra e um resgate dos valores seridoenses.



Primeiro Disco

“O céu lá de Currais Novos
de todos é o mais azul
os ventos de norte a sul
também os de leste a oeste
sopram levando as estrelas
a fim de enfeitar as noites
da Princesa do Seridó.
Elas ficam tão unidas
numa só constelação:
piscam, piscam a noite inteira
como se dentro dela
pulsasse algum coração...”

O céu de minha terra. In JANELAS DO CORAÇÃO, 2000.


Segundo Disco

         Para encerrarmos esta Página de Memórias, deixo com você, leitores, uma citação a respeito de Jarlene Maria sobre o livro Canteiros de nuvens coloridas, cujo lançamento recebeu apoio da Fundação José Augusto.

“Jarlene Maria, que conheci na sua infância, desde menina revelou os dons de uma personalidade multifacetada, uma vocação precoce e sua poesia era a nota que faltava para o desfecho da melodia.”
(Luiz Carlos Guimarães, poeta e escritor currais-novense).

Até o próximo encontro por esta mesma via


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