Maria
José Mamede entre o Sertão e o mar
Fotos: Arquivo
Como não começar
esta matéria sem considerar as palavras deste grande
homem de coração cujo sentimento telúrico
se eterniza em suas palavras? E como não fazer
referência direta à escritora Maria José
Memede? Sem dúvida são duas formas de pensar
intertextualizadas que se transparecem na obra Entre sertão
e mar: caminhos.
Assim
como Zila Mamede, irmã de Maria José Mamede,
o sertão é essa plenitude que navega na
poesia da primeira e se deita, descansando, na prosa da
segunda.
“A terra
de minha origem primitiva me chama...” (Zila Mamede).
Em 2007, mais precisamente
no período em que Currais Novos festejava a sua
padroeira Santa’Ana, foi lançado o livro
de prosa da escritora paraibana e potiguar ao mesmo tempo
Maria José Mamede que nasceu em Nova Palmeira,
Paraíba, em 1932 e que foi acolhida por Currais
Novos em 1935. Portanto, trata-se de uma filha desses
currais e das pedras que formam a geologia local. Não
era de se esperar outra coisa dela a não ser as
letras, pois recheada de amor sincero e maternal, além
de carregar na palma da mão o árduo oficio
de ensinar trilhou nos caminhos da educação
por longos anos.
O
seu livro Entre sertão e mar: caminhos é
uma prova desse sertão de que fala Oswaldo Lamartine,
da força e da fome de criar comuns aos cidadãos
nordestinos. Em cada página podemos reconhecer
um pouco de nós mesmos, do café coado no
pano, da broa de milho, do cheiro do chão e da
ânsia de ver chover nessas terras de cá.
A trajetória de
vida expressa na obra é um retrato escrito do pensamento
de uma época, onde tudo era castigado pelas dificuldades
de uma geração de moços, de aspirantes
à carreiras acadêmicas.
A
autora procura registrar esses momentos e narrar situações
familiares tão comuns a todos que aqui vivem ou
que viveram tempos outros.
“É impossível
pensar na terra sem as pessoas. São as pessoas
que no afã diuturno modificam seu chão,
construindo-o para o amanhã. (...) Pensar na terra
é preocupar-se com os nossos antepassados e com
o seu legado”.
As palavras, que sorrateiramente,
vão adentrando os nossos eus podem retratar sentimentos
de profunda emoção e isso é que faz
a eternidade dos homens. Maria José Mamede conseguiu
eterniza-se nessa obra que será um legado para
os próximos.
A professora, mãe
de oito filhos, criadora de histórias é
também compositora. A música Canção
do ontem composta em parceria com Antônio Guedes
Filho é uma das poesias de Maria José e
que faz parte do cd acústico de George Negreiros,
cantor currais-novense.
Enfim,
falar sobre a obra é muito relativo, pois nela
há muito o que “ver” e abstrair, principalmente
quando um dos seus temas é o coração,
a saudade e o compromisso de difundir um tempo de profunda
felicidade.
“Costuma-se dizer
que ‘o homem não pode se perder no caminho
de volta’. Eu me encontrei no caminho de volta.
Com a paz, a beleza, a poesia, a própria natureza,
cenário bucólico do caminho por Carnaúba
dos Dantas, Acari e Currais Novos, em manhã ensolarada
de domingo”.
Até o nosso próximo
encontro por esta mesma via!
Eme Gomes
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