Um museu particular no alto da serra
Dizem
que a paz não é concreta. É um sentimento
de tolos ou ainda, que ela só existe em outro mundo;
o da imaginação. Ledo engano, meu caro leitor.
A paz não é só abstrata, mas também,
concreta.
A 24 km de Currais Novos existe um sítio
que é um verdadeiro cantinho de tranqüilidade
e encontro com a natureza. Ali, onde abundam mandacarus,
coroas de frades e outros tipos de cactáceos mora
uma família que acredita nos valores e, principalmente,
na memória. É a família de Magno
e Dôra.
A
região é cercada pela mata espinhenta com
uma atmosfera gelada que passeia pelo espaço campestre.
E em meio a essa diversidade vegetal, com todas as mudanças
climáticas, a família preserva uma casa
com 113 anos de idade.
A casa foi erguida pelo casal Francisco
Benedito Gomes e Josefa Celestina de Vasconcelos. Ambos
eram agricultores e moraram ali desde o dia em que consolidaram
o casamento.
O casal teve quatro filhos: Neto, Almira,
Omar e Nezinho.
Segundo
o neto Magno Miguel, “nenhum dos tios teve a intenção
de desmanchar a casa para construir outra no lugar”.
Pelo contrário, ao lado, construíram a residência
onde mora ele com sua família.
Logo na entrada, vemos os objetos usados
pelos antigos moradores como: selas, arreios, botas, chibatas
e outros.
O atajé (local próprio
para se guardar lamparinas) é colocado na sala
de estar onde ficam também um pote, um porta-bengala
e duas poltronas simples.
O interessante é que os cômodos
permanecem da mesma forma desde um século, representando
as vidas e os costumes de quem usufruiu daquele espaço,
assim como as vigas, os caibros e o telhado.
Na
cozinha, uma singularidade que encanta: coleções
de conchas feitas de quenga de coco, medidas para a confecção
de doces, colheres de pau e utensílios utilizados
na culinária sertaneja.
O retrato do casal encontra-se na sala
de jantar onde também estão uma máquina
de costura, do início do século XIX, e um
oratório trabalhado em madeira com algumas imagens
religiosas.
Dentro da outra casa, onde moram Magno,
Dôra e sua família, há também
outro museu. São cristaleiras devidamente organizadas
com porcelanas e cristais também antigos, além
de muitos retratos que contam a história.
Ao final desse passeio no tempo, me atrevi
a tirar um retrato na janelinha lateral da casa como faziam
as moças namoradoras do século passado numa
inocência inimaginável.
Espero que tenham gostado da leitura.
Até o nosso próximo encontro por esta mesma
via.
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