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“Por que devo endeusar Allan Poe, se nem os autores da minha terra eu sei quem são?”.
(Maria José Gomes)



Acessando o site do CNAgitos, deparei-me com a coluna de Maria José Gomes, onde ela descreve a passagem do escritor Nei Lenadro de Castro por Currais Novos, onde ele, num ímpeto de amizade e saudosismo, observou que em Currais Novos, terra natal do grande poeta Luiz Carlos Guimarães, não existe nenhum busto em sua homenagem...e eu diria mais: nenhuma rua, nenhum beco, nenhuma travessa...

Luiz Carlos Guimarães, muito embora não residisse em Currais Novos, aqui nasceu e aqui passou toda a infância, adolescência e parte da juventude. Era filho do tabelião e ex-prefeito João Neto Guimarães. Foi poeta; não somente poeta, mais um dos maiores poetas da história do Rio Grande do Norte.

Minha cara Maria José, é sempre assim, nesses partos de gratidão e de reconhecimentos, existirem coisas desse tipo. O esquecimento ou a omissão sempre estarão presentes na vida de todos, principalmente na vida daqueles que mais fazem ou dos que mais fizeram. Veja bem, Dr. Mariano Coelho, nosso médico-apóstolo-da-caridade, apesar de já ter uma rua com seu nome na cidade, só veio a ser reconhecido, nomeando o hospital que ele ajudou a desenvolver, quando a grande maioria dos nossos habitantes sequer sabia quem havia sido ele e o que ele ainda representa para Currais Novos. Em Currais Novos, infelizmente, é assim, ou fazem as homenagens exageradas nomeando ruas (inclusive até com nomes de detergentes), prédios e aparelhos públicos com nomes de vivos (que muitas vezes nada fizeram ou nada fazem pelo município) ou só vem prestar-lhes homenagens anos e anos depois de suas mortes, quando ninguém mais deles se lembra.

Admirei-me, dia desses, quando o amigo-professor Joabel Rodrigues de Souza foi homenageado pela Escola Gilson Firmino, sendo aposto seu nome a biblioteca lá existente, numa demonstração de reconhecimento ao nosso ícone da educação.

Bom, mas essa história de esquecimento e de omissão, de reconhecimento e de gratidão, com quem faz ou com quem fez, é uma coisa típica de Currais Novos, que todos nós conhecemos, mas nunca concordamos nem tampouco ainda nos acostumamos.

(Volney Liberato – http://@goracn.blogspot.com/ - volney59@yahoo.com.br)


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