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Votar é realmente um direito ou um dever?

Votar é um direito de todos. Comum, não é? Mas para as mulheres do passado, esse direito era negado. O valor da mulher ganhava “certo” destaque quando do cumprimento das suas obrigações domésticas, cujas ações se resumiam em cozinhar, parir, cuidar dos filhos e da casa, bordar e estar pronta para as necessidades físicas do marido. A ela, o direito ao prazer não recebia autorização ecumênica, portanto bastava reproduzir e as heroínas do lar, assim chamadas por alguns, ficavam no prejuízo. Além disso havia muitas outras circunstâncias em que a postura feminina deveria condizer com os princípios sociais e religiosos.

Porém, no ano de 1926, a norte-rio-grandense, Celina Guimarães Viana fez parte da relação de eleitores do Rio Grande do Norte, com base na lei estadual do mesmo ano, que no artigo 17 dizia: “No Rio Grande do Norte, poderão votar e ser votados, sem distinção de sexos, todos os cidadãos que reunirem as condições exigidas por lei”. Então, No dia 25 de novembro de 1927, ela deu entrada numa petição requerendo sua inclusão no rol de eleitores do município. O juiz Israel Ferreira Nunes deu parecer favorável e enviou ao Senado Federal um documento solicitando a inclusão do voto feminino nas eleições. A partir dessa iniciativa, o direito ao voto feminino foi reconhecido pela Constituição Brasileira. Aos 29 anos, Celina Guimarães Viana tornou-se a primeira eleitora do Brasil e da América do Sul.


Após essa conquista, a mulher brasileira ganhou mais espaço, haja vista que portas e janelas se abriram, pelo menos um brecha, pois ainda havia muito o que ser feito com relação ao direito feminino.

Mas não foi só a mossoroense que deu o seu grito de liberdade. A currais-novense Maria do Céu Fernandes foi a primeira mulher a ocupar o cargo de deputada na Assembléia Legislativa do RN. E no ano de 1935, foi diplomada a primeira deputada estadual eleita pelo voto popular no Rio Grande do Norte e no Brasil, para nosso orgulho e satisfação.

Muitas gerações de mulheres potiguares se formarão nos próximos anos. Serão poetisas, escritoras, cantoras, artesãs, professoras, militantes, locutoras, empreendedoras... Acredito no potencial da mulher norte-rio-grandense com especial relevância à mulher do Seridó, que como schelita, brilha em todas as esferas do conhecimento.

Um abraço, e nos veremos por esta mesma via.

Eme Gomes


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